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"One photo a day..."
Uma foto por dia para mostrar o que é muito complicado de explicar por palavras. Há muitos anos, sonhava ser escritor, dos grandes, com mundo e palavras certeiras. Vivido, mostrando o mundo, conhecendo as pessoas, para fazer sonhar. Nem sequer tentei... O entusiasmo depressa passou para a fotografia. Nada de mais natural para quem gostava essencialmente de ver. Que fosse a América através dos livros de Steinbeck, o Haiti ou a Ásia fumarenta e ligeiramente ébria de Graham Greene, a Europa superficial e despreocupada de Cartier-Bresson ou Doisneau. O Mundo bárbaro de Sebastião Salgado.
A luz suave de muito cinema olhado caoticamente do alto da adolescência, que nunca iria acabar. Uma caixa quadrada com um olho de vidro. Como uma bússola ou um termómetro. Encontrar o norte e a temperatura das coisas. Quais? Oh, nada de especial, pequenas coisas que entusiasmam ou desiludem, escrever e mostrar dando "passos em volta", como diz tão perfeitamente o grande poeta. Passos em volta, em círculo mais ou menos fechado. Coisas ba
nais ou extraordinárias, um livro, um encontro, um golo do Benfica (ou do Quaresma pela Selecção, como este, fantástico, que acabou de marcar contra a Bélgica). Nada mais. Hoje: uma Jornada de "lutherie" no Conservatório do Luxemburgo (lutherie? Fabrico de violinos, violncelos, guitarras. Tem nome português? Claro que deve ter, agora não me ocorre e o dicionário está á em baixo...). Artistas fora do tempo, afáveis. Lentos e precisos no gesto. O que mais me arregalou o olho, o que gostava de ter trazido? Um violino? Não! Uma colecção de plainas em aço e latão, de todos os tamanhos! Perfeitas! Vêem-se aqui na foto de cima, deitadinhas, para não estragar a lâmina. "Ferramentas que só se usam para fabricar violinos, sabe?...", disse-me um deles. Pronto, se é assim, não vou roubar nenhuma... Hoje, como é o primeiro post, seguem 3 fotos. Tiradas com o telemóvel, a qualidade é fraquinha... Até amanhã.
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